Posts Tagged ‘Man Ray’

Expo Vogue Covers em Paris

Friday, October 23rd, 2009

A exposição “Vogue Covers” apresenta 90 anos de capas da revista mais glamour de todos os tempos expostas ao ar livre na avenida não menos glamour,  Champs Elysées , durante todo o mês de outubro 2009.

Trata-se de uma retrospectiva para reviver a moda  e a fotografia da historia da revista.  As 80 mais belas capas da Vogue realizadas pelos fotografos de moda mais célebres do mundo : Richard Avedon, Bakst, Cecil Beaton, Benito, Christian Bérard, Guy Bourdin, Salvador Dali, Patrick Demarchelier, Robert Doisneau, David Hockney, Horst, Hoyningen-Huene, William Klein, George Lepape, Man Ray, Mert & Marcus, Joan Miró, Helmut Newton, Irving Penn, Edward Steichen, Mario Testino, Andy Warhol ou ainda Bruce Weber.

Um livro também foi editado trazendo as mesmas imagens e ainda mais 60,  ja esta à venda nas livrarias de Paris e logo mais do mundo.

Por Luisa Assunção

Moda e Arte

Thursday, April 16th, 2009

O século XX entrou na Europa através dos passos do Ballet russo. Foi no compasso da música e nos passos de Vaslav Nikijinski e Ana Pavlova que levaram ao velho continente o barroquismo e exotismo, os quais rapidamente influenciaram a vestimenta. O russo Erté (iniciais en francês de Romain de Tirtoff) foi um dos precursores: deixou de ser um artista e começou a desenhar as peças art déco (ver imagem 1) que, nos anos 20,  Pavlova e Josephine Baker usariam, além dos artistas do Folies-Bergère. “Era o momento do francês Paul Poiret. Além de ser conhecido como o Rei da moda, Poiret era um apaixonado da pintura. As influências de suas criações o demonstram”, relata o desenhista e historiador de moda argentino Carlos Martínez.

“Os trajes que Coco Chanel e Lanvin fizeram nos anos 20 eram masculinos e andrógenos, com muita influência cubista. Isto fez com que as vanguardas estéticas influenciassem as pessoas da moda e vice-versa. A moda é cultura e, portanto, tem sido e é espelho do que acontece na sociedade”, manifesta Casablanca Migueles, professor de desenho na Universidade de Belas Artes de Granada na Espanha. Nesse sentido, outro dos marcos de início do século  Sonia Delaunay, pintora russa muito ligada à vanguarda construtivista de seu país e criadora de um estilo chamado simultaneísta. “Cheias de cor, suas obras são arte pura. Criou móveis, lâmpadas e livros. E com a mesma técnica trabalhou com a moda produzindo peças para uso cotidiano. A primeira robe simultanée (imagem 2) é de 1913 e foi considerada uma pintura viva”, conta a empresária especialisada em moda, Susana Saulquin.

Na década de 20, esta mulher influenciada por Apolinário e Tristão Tzará, entre muitos outros, chegou a representar a fusão mais perfeita entre arte e desenho têxtil. Até que apareceu, em 1938, Sonia Schiaparelli. Nascida em Roma, Schiaparelli teve contato com os movimentos surrealistas e dadaístas. Foi mentora do vestido lagosta e do sombreiro zapata, além de outras criações, das quais muitas foram intervidas por Dalí, Giacometti e Man Ray. Mas foi um  paletó que passou para a história. “Se trata de uma peça de linho natural que tem um rosto na parte da frente. Possui duas mãos – símbolo surrealista– que se entrecruzam e fazem uma espécie de cinto. Além de refletir o inconsciente, este paletó (exibido hoje no Victoria and Albert Museum, de Londres) é uma obra fundamental da arte e da moda”, assegura Saulquin.

Logo chegarão os grandes modistas. Além de ser um grande colecionador de obras de arte, o francês Yves Saint Laurent foi um dos grandes homens da moda que se inspirou nas artes plásticas. “O vestido Mondrian (imagem 3), de 1967, teve grande ressonância. Saint Laurent também se inspirou em Renoir e Matisse, Wasselman, Bracque e Picasso. É famosa uma jaqueta onde imprimiu os lírios de Vincent van Gogh”, relata Saulquin. “Foi um dos primeiros a introduzir a arte moderna na moda, ap unir neoplasticismo e abstração”, confirma Patricia Doria, desenhista de indumentária da UBA e docente da Universidad de Palermo ambas na Argentina.

Contam que o mesmo YSL –cuja valiosa coleção de arte foi leiloada recentemente  por Pierre Bergé, seu companheiro–, reconhecia: “Me inspirei em um grande número de pintores porque creio que a arte não só forma parte da cultura, mas da vida; e é preciso  mostrá-la a todo o mundo”. Talvez a mesma idéia tinha Emanuel Ungaro, que se inspirou em Gaughin. Christian Dior amava também a pintura: muito antes de surpreender o mundo com seu New Look teve uma pequena galeria de arte, onde vendia obras de PicassoGustav Klimt, o pintor austríaco da Escola de Viena que motorizou uma das últimas coleções de John Galliano (imagem 4) para a casa Dior merece, segundo analistas, um capítulo a parte, já que mostra claramente a interconexão moda-arte. “Klimt, famoso por pintar mulheres e utilizar texturas selvagens e sensuais, tinha uma amiga, Emile Flögue. Para ela, que era dona de uma casa de modas em Viena, Klimt elaborou vários desenhos”, conta Saulquin.

Mais em www.parati.com.ar (texto traduzido)

Por Luísa Assunção